Reflexões Bíblicas nº 42

A raiz da discussão em relação à literalidade do Livro de Gênesis está nos questionamentos levantados pela Teologia Liberal. Esta é tão perigosa para a Igreja quanto a Teologia Pentecostal, porém ainda mais sutil. Veja, por exemplo, a chamada Bíblia de Jerusalém. Nas suas Notas de Rodapé, ela defende a visão Liberal chamada Alta Crítica, ou seja, ela tenta por em dúvida a veracidade das afirmações da Bíblia! No livro do Profeta Daniel, por exemplo, a Bíblia de Jerusalém tem a ousadia Liberal de afirmar que o autor não foi Daniel e de se justificar dizendo que Daniel não poderia prever o futuro! Pior, desafia assim as palavras de Cristo Jesus que disse, no Evangelho de São Mateus, capítulo 24, versículo 15 que Daniel é o autor do livro que leva seu nome e que ele era realmente um Profeta. Em Malaquias capítulo 5, versículo 2, está escrito: “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. Este é um texto que fala sobre Cristo, que sendo Deus atua desde os dias da eternidade. A Alta Crítica Liberal, que geralmente desafia a Divindade de Cristo, altera este texto, na Bíblia de Jerusalém para “… cujas origens são desde os tempos antigos“. Ao atribuir origem para Cristo, os Liberais negam que Ele seja Incriado e Eterno. Até mesmo a versão mais recente da Atualizada de Almeida, foi contaminada pelo veneno Liberal e cometeu esta violência contra o texto inspirado. Por isso recomendamos que se estude a Escritura na versão Revista e Corrigida de Almeida (especialmente na edição até 1980 que é mais fiel aos manuscritos originais em Grego e Hebraico – pois não cedeu aos ataques de tão vis adversários) e que se tome extremo cuidado com todas as sutilezas e ciladas dos abundantes falsos mestres.

Publicado por: kalleyana | Março 9, 2010

O que é a Declaração de Savoy?

A Declaração de Savoy (cujo nome completo é A Declaration of the Faith and Order owned and practiced in the Congregational Churches in England), é uma declaração e um padrão doutrinário elaborado no ano de 1658 por uma assembléia de cerca de duzentos Cristãos de cento e vinte diferentes congregações, reunidos para este fim por doze dias – de 29 de Setembro à 12 de Outubro, no palácio de Savoy – Londres, Inglaterra. Tal assembléia fora planejada pelo piedoso Lorde Protetor da Inglaterra, Oliver Cromwell (e especialmente desejada pelos adeptos do Congregacionalismo, os quais desejavam uma oportunidade pública de defenderem-se das acusações de sisma e novidade teológica), tendo sido evocada por seu Secretário de Estado, após cinco anos de estudos na Escritura por parte dos mais diversos teólogos, sob ordens de Lorde Cromwell, e após uma extensa e intensa aplicação dos princípios bíblicos ao Governo, com o objetivo de evitar divisões e contendas no seio do Protestantismo Reformado e promover a liberdade de consciência religiosa para aqueles que professassem alguma forma de cristianismo clássico e ortodoxo que não contradissesse as mais basilares doutrinas da Fé. Ademais, era necessário finalizar o trabalho que havia sido iniciado pela Assembléia de Westminster, para proporcionar um padrão claro e firme de Fé que produzisse unidade na Igreja Cristã, especialmente entre os Puritanos de todo o mundo. É notável que durante este tempo em que Cromwell implementou medidas diversas para garantir a liberdade para o culto Cristão de diferentes convicções doutrinárias, jamais houve intenção ou tentativa de permitir total liberdade de culto – a política era organizada de tal forma que impedisse a desobediência civil e, ao mesmo tempo, a proliferação de danosas heresias como o papismo ou o socianismo. Após todas estas observações destaco que para se ter uma boa compreensão da Declaração de Savoy é absolutamente necessário considerar este contexto histórico e, nisto, o objetivo político e social contíguo ao objetivo teológico desta coleção de artigos de fé.

A Declaração de Savoy foi constituída em três divisões: um prefácio, uma Confissão de Fé (com vinte e dois capítulos) e um modelo de ordem eclesiástica (composto de trinta itens). Foram eleitos seis teólogos como representantes para compor a comissão de redação da obra: Thomas Goodwin, John Owen, Philip Nye, William Bridge, Joseph Caryl e William Greenhil. Dentre estes destacam-se John Owen (considerando por muitos como um dos três maiores teólogos Reformados de toda a História, ao lado de Jonathan Edwards e João Calvino), que servira como capelão de Cromwell e vice-chanceler da Universidade de Oxford; e Thomas Goodwin, considerado como o mais claro e habilidoso escritor dentre os Puritanos. Ainda, o também renomado puritano John Howe contribuiu notavelmente na elaboração dos textos e nas discussões, ainda que não tenha sido eleito para a comissão representante.

Quando comparada com a Confissão de Fé de Westminster, as mais notáveis diferenças são:

1)      Um capítulo inteiro, chamado “do Evangelho e da Extensão da Grança do mesmo” existe em Savoy, após o capítulo IX, e não existe em Westminster (o capítulo IX, tanto na Confissão de Westminster quanto em Savoy, é intitulado “a Lei de Deus”) .

2)      O item IV do capítulo XX da Confissão de Westminster (a saber, “da liberdade Cristã e da liberdade de consciência”) não possui correspondente em Savoy, e o assunto ali tratado em Westminster foi apresentado de forma similar no item 3 do capítulo XXIV da Declaração de Savoy, exceto pela eliminação da referência sobre censuras eclesiásticas constante na Confissão de Westminster.

3)      Os itens 5 e 6 do capítulo XXIV da Confissão de Westminster (a saber, “do Matrimônio e do Divórcio”), não possuem equivalente em Savoy. Estes itens  tratavam das licitudes para anulação do casamento e para o divórcio.

4) O capítulo XXVI da Declaração de Savoy foi elaborado para evitar dubiedades existentes em Westminster e explanar mais claramente o conceito de uma Igreja Invisível e Universal, não institucional. Além disto, este capítulo de Savoy traz um pequeno esquema de uma escatologia otimista, algo totalmente ausente de Westminster.

5)      Os capítulos XXX , chamado “Das Censuras Eclesiásticas”, e XXXI, chamado “Dos Sínodos e Concílios” não possuem par em Savoy, o que foi feito para que: não houvesse sanção ou prejuízo às diferentes formas de governo encontradas nas igrejas reformadas; não houvesse mais acusações específicas de sisma e insubordinação contra os congregacionalistas e houvesse uma posterior elaboração de uma plataforma de Governo firmada na Escritura que trouxesse mais paz e colaboração entre todos os não-conformistas, fossem adeptos de algum tipo de presbiterianismo ou de alguma forma congregacional.

Em todas estas diferenças destaca-se o desígnio da Declaração de Savoy em promover união e cooperação entre diferentes igrejas, sem, no entanto, negociar a Verdade da Escritura. Sobretudo, conforme o entendimento típico do puritanismo, havia o temor de que a Declaração se tornasse um instrumento de institucionalização da igreja ou a fonte (ou mesmo uma base legal) para tensões e jogos políticos. Este fora, inclusive, o maior motivo pelo qual Cromwell relutou por algum tempo em liberar a elaboração de tal documento – sabiamente o Lorde Protetor aguardava a conjuntura adequada para evitar tais ameaças, que não só perturbariam a paz do reino mas, o que é infinitamente pior, transtornariam a Igreja com contendas e atrairia para ela toda sorte de hipócritas.

Assim, considerando a situação histórica e os conhecidos posicionamentos dos seus redatores, é um erro considerar-se que Savoy é uma mera adaptação de Westminster para proselitismo congregacional ou mesmo uma versão congregacionalista da antiga confissão. Segundo John Owen e Joseph Caryl registram em seus escritos e, segundo o que a História daquele período registra, a elaboração de Westminster fora interrompida por agitações e guerras (que comprovam tão bem a denúncia que a própria Confissão faz sobre o terrível estado pecaminoso em que se encontra a humanidade decaída; digo isto, mais exatamente, me referindo à decapitação do Rei Carlos I em 1649, por obra da invasão do exército de Cromwell), o que levou os documentos da Assembléia a jamais se tornarem oficiais na Igreja Estatal Inglesa; no entanto, diz-se nos, os padrões de Westminster foram divulgados por todo o mundo no forma como estavam e encontraram (pela excelência advinda da especial iluminação e graça com que o Espírito visitou seus elaboradores), guarida em diversas igrejas de toda a Terra. No entanto, certas pendências foram deixadas por ocasião da interrupção do processo iniciado na Assembléia de Westminster, pendências como a presença de pontos por demais restritivos à almejada liberdade religiosa e uma certa dubiedade em alguns trechos – dubiedade esta que, na época da elaboração de Savoy, já levava alguns homens ao sectarismo e a imaginarem doutrinas que nunca foram intentadas pelos santos homens de Westminster. Deste modo, sob o Governo de Cromwell, o processo de elaboração da Confissão de Fé foi retomado, agora não mais com vistas a uma Igreja Estatal mas, segundo a teoria denominacional de Jeremiah Burrough (teoria já sob estudo há alguns anos, segundo proposta apresentada desde a Assembléia de Westminster), para produzir uma unidade espiritual (em lugar de uma unidade institucional) entre todas as congregações da Inglaterra, ainda que estas congregações fossem um pouco díspares em assuntos circunstanciais. Esta é a origem das diferenças entre Westminster e Savoy: tudo o que fugia ao coração da Fé e poderia ser considerado como questão de consciência e interpretação da Escritura ou questão de ordem e disciplina foi removido; não por discordância ou erro, mas para promover liberdade e tolerância dentro dos limites da Escritura e para prover oportunidade de uma mais detalhada elaboração sobre estes assuntos. Logo, Savoy estabelece Westminster e reafirma o puritanismo calvinista como vero padrão da Igreja – em nada uma destas confissões contradiz a outra, mas, quanto a Fé e a piedade, se complementam.  Intensão e matéria esta que é por demais clarificada no prefácio da edição original de Savoy, onde figuram as seguintes afirmações:

“Ao esboçar esta nossa confissão de fé, nós tivemos a nossa frente os artigos de religião aprovados e analisados por ambas Casas do Parlamento, após consulta com uma Assembléia de Teólogos chamados por eles para este propósito [n.t.: a Confissão de Fé de Westminster]. Àquela confissão, pela substância da mesma, nós plenamente aprovamos, assim como nossos irmãos na Nova Inglaterra, e as igrejas da Escócia também, como estas testificaram em seus sínodos gerais.

Umas poucas coisas acrescentamos para obstar a algumas opiniões errôneas que tem sido muito mais ampla e fortemente mantidas nos tempos mais recentes do que o foram em tempos passados; e fizemos algumas outras adições e alterações aqui e ali, e algumas explanações mais claras, conforme achamos ocasião.

Nós nos esforçamos todo o tempo para nos ater aquelas verdades em nossa confissão, que são mais propriamente chamadas matéria de fé; e aquilo que pertence a ordem eclesiástica nós dispusemos em certas proposições em separado

Como nossos Irmãos, os Ministros de Londres, esboçaram e publicaram suas opiniões e apreensões sobre o Governo da Igreja em um inteiro Sistema; assim nós damos semelhante testemunho público de nossas Consciências, e das Regras pelas quais nós temos guiado nossa prática até então; as quais nós aqui esboçamos, e apresentamos. Pelo que se demonstrará quão somos, muito ou pouco, diferentes nestas coisas em relação a nossos Irmãos Presbiterianos.

E nós confiamos que aqui não há causa justa para que algum homem, tanto por diferirmos do atual acordo, o que fazemos por uma questão de Consciência e não por desdém, quanto por diferirmos uns dos outros, não sendo voluntariosos, possa acusar qualquer de nós com odiosa reprovação chamando-nos sismáticos. E, em verdade, se não fora por diferirmos do que foi estabelecido pelo Estado, muito menos seria pelo que diferimos de nossos irmãos, sendo nossas diferenças em pequenas coisas, e circunstâncias apenas, como eles mesmos reconhecem.”

Assim, em Savoy estava dado o primeiro passo para reconciliar e unir os Puritanos da Nova Inglaterra, os Presbiterianos e os Congregacionais Cromwellianos sob a mesma e antiga bandeira do Puritanismo Não-Conformista, sob a Fé Bíblica que nada renega da Escritura, mas que plenamente se submete a nossa única e verdadeira Regra de Fé; tarefa e desejo de união que foi perseguida por John Owen até o fim de sua vida (com monumentais avanços após Savoy, conforme registrado em seus sermões e escritos), herdado por Jonathan Edwards (que tão bem expressou tal anseio em obras como Uma Humilde Tentativa de Promover  Concordância e União entre o Povo de Deus…) e, hoje, legado a nós, para que trabalhemos pela visível cooperação e união de todos os que professam as doutrinas dantes professadas pelos amados Puritanos, esforçando-nos para, pela Escritura, acomodarmos nossas visões e servirmos conjuntamente ao Majestoso e Soberano Deus, que pela Graça salvou-nos de nossos pecados em Cristo Jesus.

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Fontes
REINER, Peter Toon. Puritans and Calvinism (internet)
SCHAFF, Philip (Ed). Creeds of Christendom, with a History and Critical Notes, sixth edition revised and enlarged (Haper & Brothers, 1877), pp. 614-617.
Vd. FRASER, Antonia , Oliver Cromwell, Uma Vida (São Paulo: Record, 2000), p. 400.
PACKER, J. I. Entre os Gigantes de Deus (São Paulo: FIEL, 1996)
Declaração de Savoy – Edição Kalleyana (Rio de Janeiro:Casa Publicadora Kalleyana, 2010)
Harmonia da Fé Puritana (Rio de Janeiro:Casa Publicadora Kalleyana, 2010)
OWEN, JOHN. True Nature of a Gospel Church (1689)
OWEN, JOHN. Duty of Pastors and People Distinguished (1643)

Reflexões Bíblicas nº 42

Os Dias da Criação, Relatados no Capítulo 1 de Gênesis A Reflexão nº 42, dentre outras coisas, diz: “A teoria do evolucionismo, que surgiu no século XIX, que entre outros absurdos defende que o homem é originário do macaco, está caindo em todo o mundo…”. Notemos que um dos aspectos mais prejudiciais desta teoria pseudo-científica é negar a realidade de Gênesis 1:24-31, o sexto dia literal de Criação. Neste dia, diz a Escritura, no versículo 27: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, a imagem de Deus o criou”. Ao atacar esta doutrina, o Evolucionismo ataca toda a base da antropologia Bíblica. Por isso, um Cristão não deve aceitar esta teoria. Quando a Escritura declara que o homem foi criado à imagem de Deus, está declarando que o ser humano é diferente de toda a Criação. Enquanto todas as coisas foram feitas apenas de matéria, o homem foi criado com alma ou espírito – uma parte imaterial que dá ao homem a capacidade única de compreender e reproduzir os santos caminhos de Deus. Esta Imagem de Deus foi terrivelmente danificada pelo Pecado de Adão e, é na corrupção desta imagem que jaz a malignidade natural de todo ser humano. Há, no entanto, a Esperança de Cristo, cuja Palavra pode fazer de nós, pela Fé, novas criaturas, recuperando em nossa alma a Imagem de Deus, para fazer-nos Santos com Ele.

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